Portugal story image 180x180 - SINAIS ENCORAJADORES PARA O MERCADO DE VINHOS PORTUGUESES EM 2021

O mais recente Portugal Wine Landscapes 2021 mostra que, apesar do encerramento do comércio e da falta de turistas, a indústria do vinho em Portugal ainda teve alguns vencedores em termos de premiumização do mercado e aumento das ocasiões de consumo de vinho ao longo de 2020

2020, um ano de pandemia e lockdown, trouxe enormes desafios à indústria do vinho portuguesa, que atravessou um difícil período de adaptação. Se fosse um ano normal, o conteúdo deste Portugal Wine Landscapes 2021 seria diferente — mas talvez não tanto quanto seria de esperar.

Tal como em Espanha,  os turistas desapareceram e o comércio interno fechou duas vezes, diminuindo significativamente o volume global de vinho vendido por este canal. No entanto, assim como em Espanha, podemos ver alguns pontos positivos quando nos concentramos na forma como os consumidores portugueses reagiram ao COVID, o que pode ajudar na recuperação do mercado durante 2021.

No relatório do ano passado (Portugal Wine Landscapes 2020), o facto de o mercado se estar a tornar mais premium foi um dos principais destaques. Os consumidores regulares de vinhos portugueses bebiam vinhos mais caros. Isto não foi interrompido pela pandemia — em vez disso, foi alimentado, com os consumidores a declarar agora maiores gastos na maioria das ocasiões analisadas neste estudo, tanto em casa como quando podiam estar em restaurantes e bares.

O relatório do ano passado também destacou como a tendência de moderação global estava a evoluir rapidamente em Portugal. Os consumidores queriam moderar o seu consumo e estavam focados na sua saúde e bem-estar. Como em muitos outros mercados, esta tendência de moderação inverteu-se em 2020. A população que bebe vinho em 2021, contém agora mais consumidores semanais e menos consumidores de vinho mensais, e os consumidores afirmam que estão a beber mais vinho do que outros tipos de bebidas — todos bons sinais para a indústria do vinho portuguesa.

Os lockdowns também proporcionaram mais momentos para beber vinho, o que vimos em todo o mundo, já que esta bebida é um pequeno luxo para quem se quer regalar quando outras opções indulgentes ou ambiciosas, como sair ou viajar, foram severamente limitadas. Os consumidores regulares de vinhos portugueses não são exceção ao beberem vinho em mais ocasiões do que há um ano, quer seja vinho que já se encontrava armazenado em casa, quer seja vinho comprado e proveniente de outros canais de venda. Os dados deste estudo também sugerem que o maior crescimento no consumo de vinho veio dos consumidores mais jovens — aqueles na faixa etária de 18-34 e 35-49 anos.

Os canais de conveniência foram naturalmente os preferidos, já que os consumidores querem passar menos tempo em loja. Os canais de vendas online tornaram-se particularmente relevantes, acelerando significativamente, ainda que a partir de uma base pequena. Mas foi o online enquanto canal de comunicação viu a verdadeira revolução com as equipas de marketing em todo o país a mudar as suas estratégias de comunicação e direcionamento de uma forma fantástica.

Finalmente, existem alguns vencedores do Covid-19 que gostaríamos de destacar

GRANDES SUPERFÍCIES

O retalhista Continente: Já era o retalhista nº 1 em Portugal e reforçou significativamente a sua força junto dos consumidores regulares de vinhos portugueses no ano da pandemia Covid-19, aumentando a sua liderança à frente do número 2, Pingo Doce.

O retalhista Mercadona: O gigante retalhista de propriedade espanhola ainda está nos primeiros passos no mercado português, mas conseguiu, a partir de uma pequena base, tornar-se significativamente mais relevante entre os consumidores regulares de vinho, que agora o utilizam mais para adquirir a bebida. Acreditamos que o Mercadona se tornará cada vez mais relevante nos próximos anos, com a abertura de novas lojas.

REGIÕES

Vinhos de Trás-os-Montes: Esta é uma das regiões vinícolas mais desconhecidas de Portugal. É também uma das mais afastadas e inacessíveis para os consumidores de vinhos portugueses, mas conseguiu aumentar significativamente a sua notoriedade junto dos consumidores, a partir de uma base pequena, num ano muito improvável.

Vinhos do Algarve: O Algarve é uma das regiões mais famosas de Portugal. Não necessariamente pelo seu vinho, mas sim pela sua popularidade como destino turístico. Tem havido investimento na vinicultura na região mais meridional de Portugal, que está cada vez mais popular entre os consumidores. Vemos um grande potencial para o vinho capitalizar a sua alta notoriedade internacional.

CASTAS

A casta Sauvignon Blanc: Portugal não é um país de castas — os consumidores preferem escolher o vinho de acordo com a sua região. Mas o sucesso internacional de Sauvignon Blanc está a chegar ao consumidor português e vários produtores de vinhos portugueses estão agora a produzir mais vinhos Sauvignon Blanc, em particular de regiões perto do Oceano Atlântico (por exemplo, Lisboa).

MARCAS

As marcas (sem ordem específica) Papa Figos, Esteva, Monte da Ravasqueira, Assobio, Fiuza, JP, Cabriz, Carm, Pouca Roupa, Esporão, Defesa, Altano, JMF, Casa de Santar e Trinca Bolotas tiveram resultados positivos ao se tornarem mais relevantes para os consumidores, seja em termos de maior conhecimento, compra, consideração, afinidade ou recomendação.

LO scaled e1611935885670 180x180 - SINAIS ENCORAJADORES PARA O MERCADO DE VINHOS PORTUGUESES EM 2021Author: Luis Osorio 

Email: Luis@wineintelligenec.com

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